Posts tagged ‘poesia’

meia maçã

15.07.2010

No manual de instruções
do ser humano inglês saudável
me ensinaram a comer
uma maçã por dia
para manter
o médico distante

mas sou semi-hipocondríaco
prefiro comer meia maçã
vai que eu preciso de médico?

a outra metade eu deixo no Abbey Road
girando

Philippe Leon, 5 de dezembro de 2008

Doces novas poetas

19.08.2008

Ana Paula lançou livro no começo do mês. Alice está lançando hoje. Em comum, a cidade em que vivem e a paixão pela poesia. Apesar da diferença de idade, que quase as separa em duas gerações, Ana Paula e Alice estão lançando este mês seus inspirados primeiros livros de poesia.

Ana Paula Pedro é poeta e atriz, tem 33 anos e lançou no último dia cinco “Primeira Chuva no Deserto”, livro que já nasce transformado em peça, que ela encena ao lado de Guta Stresser.

Alice Sant’Anna é poeta e estudante de jornalismo na PUC-Rio. E poeta. Tem apenas 21 anos. Está lançando hoje “Dobradura”, livro filhote do seu blog de poesias.

Ambas fazem poesia contemporânea, doce, atual, com gosto de desejo, simples, direta. Falam com a mesma qualidade de ônibus, cozinha ou seus amores e temores. Curto muito estes pequenos momentos que as folhas de papel preenchidas por estas moças trazem. Pra entenderem um pouco, dois pequenos poemas de cada uma.

Este primeiro de Ana Paula Pedro é sem título, e curto:
Temo não ser capaz do inevitável

COZINHEIRA
Ana Paula Pedro

Cozinhar o amor;
Pré-aquecer o fogo por tempo indeterminado.
Em uma vasilha transparente dispor
poesia, saudades, confiança,
desapego e frisson.
Mexer com as mãos até que a massa torne-se uniforme.
Fechar os olhos, fermentar com um beijo.
Levar ao forno.
Com cautela e cuidado,
espiar de tempos em tempos se o amor está pronto.
Servir antes que esfrie.

BOLINHOS DE VENTO
Alice Sant’Anna

pegue um lápis e marque um ponto
no centro de uma folha
a solidão é tudo o que está em volta

TRÊS MIL E CEM
Alice Sant’Anna

fica um pouco mais
até anoitecer em janeiro
do ano de 3100
quando na cidade submersa
só restarmos nós e peixinhos
dourados
aí sim eu prometo
passar o café
te chamar um táxi