Convergindo ideias para conceber um projeto final…
Parece que o mundo parou nos últimos anos para falar em sustentabilidade e ecologia. Se de um lado se deve à real necessidade em se tratar desses temas com urgência, por outro certamente foi pelo status corporativo que esses termos passaram a imprimir às empresas que os adotaram como lema. Vide o caso do papel reciclado industrial, que tem um processo sujo de produção, é caro, e no entanto é adotado por qualquer empresa que pretende se vender como “ecologicamente correta” ou “amiga da natureza” ou mesmo “preocupada com a sustentabilidade”, ou qualquer outro termo que se possa usar neste caso.
Interesses corporativos à parte, o homem precisa mesmo se preocupar com o uso desenfreado dos recursos do planeta, isso é verdade e todo mundo sabe. Precisamos reduzir, produzir menos, diminuir e tornar o mais funcional possível o uso de materiais que usem recursos não renováveis. Precisamos fazer produtos menores, virtualizar processos, desmaterializar o mundo, convergir funções.
Mas como pensar em desmaterialização em um mundo extremamente e cada vez mais voltado para uma cultura material?
Ao mesmo tempo este mesmo mundo sofre de outra grande poluição. Poluição visual. Excesso de imagens. Todo dia somos bombardeados com milhões de imagens que não nos acrescentam nada. Sofremos com excesso em quantidade e escassez em qualidade.
Qual é o papel do designer em um mundo que precisa reduzir a quantidade de produtos industriais e precisa produzir menos imagens? Em um primeiro momento é de se pensar que é uma profissão que precisa aprender a se auto-extinguir, aos poucos. Mas se pensarmos bem, podemos enxergar que não há personagem melhor para promover essas mudanças de paradigma, para preparar o mundo para o uso de menos recursos materiais e menor geração imagens.
A desmaterialização e a despoluição visual parecem até assuntos diferentes, mas são únicos, pois são problemas ambientais e que afetam diretamente o modo de operar na profissão do designer.
É natural imaginar que neste momento de mudança de paradigma o designer venha visitar áreas de interesse que tangenciam o próprio design. A arte, a tecnologia, a física, a química.
Registrar o mundo em que vivemos é também uma forma de pensar e fazer pensar sobre essas transformações. Filmes como Koyaanisqatsi, do americano Godfrey Reggio, ou mesmo os filmes do casal Eames em que registram sua casa, seus projetos, e o mundo que os inspirava, são belos exemplos de formas diferentes de registro em vídeo do mundo, principalmente os do casal Eames, que são exemplos de filmes feitos por designers. Em ambos a narrativa é subjetiva, são mais filmes de arte do que documentários, embora carreguem completa visão crítica do mundo de suas épocas e de seus lugares.