design

Kassin nas nuvens

03.08.2011

 

Está saindo pela Coqueiro Verde o disco do Kassin (primeiro, segundo, terceiro? você escolhe). Fiz o projeto gráfico, com ideias dementes e geniais do Kassin e tipografia toda feita a mão pelo Diego Medina. Fizemos tudo ficar em 3d, mas cada hora brincamos de uma forma diferente com o efeito. O Kassin queria mais que tudo o aspecto da imagem 3d, com as cores se desencaixando. O efeito era consequência. Então fizemos várias loucuras, imagens com várias camadas, 3ds improváveis, superposições, tudo pra remeter ao título do disco “Sonhando devagar”.

O material gráfico leva fotos variadas, da Chiara Banfi, Daniel Santiago, uma minha (do Kassin usando o óculos 3d), da Regina Casé e até do próprio Kassin, que fez alguns auto-retratos. A capa, pode-se dizer, foi feita a oito mãos, a ideia do Kassin, a “colagem” e direção de arte minha, a foto da Regina Casé e aquelas letrinhas lindas do Diego.

Em junho fiz um post falando um pouco do processo desse trabalho, que me deixou enxergando vermelho com um olho e azul com outro, de tanto usar o óculos pra criar as imagens.

O disco, não preciso dizer, sou suspeito, mas me parece o melhor disco do ano até agora.

Um dos spreads do livreto com a letra de “Sorver-te”, a música mais gay do mundo depois de “Momento macho”.

 

Meu cérebro fritando de tanto ver com óculos 3D!

09.06.2011

Estou trabalhando num projeto, com dois grandes nomes, ainda não posso falar sobre o projeto em si. Mas estamos fazendo tudo com imagens em 3D anaglifo, que nada mais são do que aquele antigo 3D criado pela separação de cores (geralmente azul e vermelho), diferente do 3D usado hoje em dia no cinema, usa-se um óculos de lentes coloridas (normalmente de celofane) azul e vermelho, e o olho “corrige” a informação, gerando a sensação de 3D.

Estou o dia todo olhando essas imagens através desses óculos e meu cérebro agora parece estar fritando. Fora que depois de algum tempo usando o tal óculos, o olho continua querendo corrigir a imagem, então com um olho você enxerga mais vermelho e com o outro mais azul.

Mas apesar disso acho que é um dos trabalhos mais maneiros que já participei, e está sendo feito a seis mãos. Na verdade uma cabeça pensante, e quatro mãos: eu na manipulação das imagens e no design, e uma pessoa escrevendo todas as letras na mão.

O legal de usar o 3D neste projeto é que não são imagens simples, caretas, todas as imagens antes de virar 3D foram muito manipuladas, sobrepostas, desfocadas, estragadas, e está sendo muito legal ver as possibilidades de ainda assim ter esse recurso do 3D, que é banal, mas é muito divertido.

Tá ficando F! Em breve breve volto pra falar do trabalho pronto…

Aí embaixo vai uma imagem (que não tem nada a ver com o projeto) do meu escritório, que fiz pra testar o efeito em imagens feitas especificamente para 3D (duas fotos levemente diferentes na angulação).

Beirut e os Beagles

08.06.2011

Não sou muito fã do Beirut, também não acho ruim. Mas me chamou atenção a capa do novo single “East Harlem”, cheia de Beagles! A capa mais bonita de 2011 até agora.

 

Os móveis do Hans Donner

05.06.2011

Hans Donner apresentou esta semana em Bento Gonçalves, na serra gaúcha, sua linha de móveis. Tirem suas próprias conclusões.

Só posso dizer uma coisa: “brasilidade com sotaque alemão”???

Veja a matéria no Pense Imóveis.

O papel do designer em um mundo que precisa reduzir

30.05.2011

Convergindo ideias para conceber um projeto final…

Parece que o mundo parou nos últimos anos para falar em sustentabilidade e ecologia. Se de um lado se deve à real necessidade em se tratar desses temas com urgência, por outro certamente foi pelo status corporativo que esses termos passaram a imprimir às empresas que os adotaram como lema. Vide o caso do papel reciclado industrial, que tem um processo sujo de produção, é caro, e no entanto é adotado por qualquer empresa que pretende se vender como “ecologicamente correta” ou “amiga da natureza” ou mesmo “preocupada com a sustentabilidade”, ou qualquer outro termo que se possa usar neste caso.

Interesses corporativos à parte, o homem precisa mesmo se preocupar com o uso desenfreado dos recursos do planeta, isso é verdade e todo mundo sabe. Precisamos reduzir, produzir menos, diminuir e tornar o mais funcional possível o uso de materiais que usem recursos não renováveis. Precisamos fazer produtos menores, virtualizar processos, desmaterializar o mundo, convergir funções.

Mas como pensar em desmaterialização em um mundo extremamente e cada vez mais voltado para uma cultura material?

Ao mesmo tempo este mesmo mundo sofre de outra grande poluição. Poluição visual. Excesso de imagens. Todo dia somos bombardeados com milhões de imagens que não nos acrescentam nada. Sofremos com excesso em quantidade e escassez em qualidade.

Qual é o papel do designer em um mundo que precisa reduzir a quantidade de produtos industriais e precisa produzir menos imagens? Em um primeiro momento é de se pensar que é uma profissão que precisa aprender a se auto-extinguir, aos poucos. Mas se pensarmos bem, podemos enxergar que não há personagem melhor para promover essas mudanças de paradigma, para preparar o mundo para o uso de menos recursos materiais e menor geração imagens.

A desmaterialização e a despoluição visual parecem até assuntos diferentes, mas são únicos, pois são problemas ambientais e que afetam diretamente o modo de operar na profissão do designer.

É natural imaginar que neste momento de mudança de paradigma o designer venha visitar áreas de interesse que tangenciam o próprio design. A arte, a tecnologia, a física, a química.

Registrar o mundo em que vivemos é também uma forma de pensar e fazer pensar sobre essas transformações. Filmes como Koyaanisqatsi, do americano Godfrey Reggio, ou mesmo os filmes do casal Eames em que registram sua casa, seus projetos, e o mundo que os inspirava, são belos exemplos de formas diferentes de registro em vídeo do mundo, principalmente os do casal Eames, que são exemplos de filmes feitos por designers. Em ambos a narrativa é subjetiva, são mais filmes de arte do que documentários, embora carreguem completa visão crítica do mundo de suas épocas e de seus lugares.

Capas e sites e mais da Silvia Machete

23.07.2010

É com orgulho que tenho o prazer de mostrar este projeto. Fiz a capa do novo CD da Silvia, o site novo (compacto e funcional como pede a internet hoje), perfil de myspace, twitter, filipetas… e se tudo der certo, em breve camisetas. A Silvia sabe exatamente o que quer, é uma das artistas mais seguras que conheço, chegou com o conceito e as fotos prontas, feitas pela Caroline Bittencourt, que manda muito bem. Mas tive total liberdade na criação, usei e abusei das fotos, alterei, coloquei filtros, tratamentos, tudo para ficar bonito. O engraçado de tudo é que o projeto começa na capa do disco, se estende no projeto gráfico todo do digipak, nas peças gráficas, internet… e ele vai amadurecendo, escolhendo quase que por conta própria as direções que vai tomar. É como se ele fosse ganhando vida própria.

Há dois meses fiz também novo projeto pra capa do primeiro CD da Silvia, lançado originalmente em 2006, relançado agora em Portugal, e que vai sair de novo aqui no Brasil pela Coqueiro Verde. Apesar de ter sido feito mais na correria, gosto muito também deste projeto.

Espero que gostem dos resultados. O disco novo também está bonzão!

O site está em www.silviamachete.com.br

Uwe Peter Kohnen

12.07.2010

quando entrei na esdi o professor que mais me chamou atenção foi um alemão alto, risonho, que logo no primeiro dia tirou a gente da sala do primeiro ano e nos levou para uma aula no estacionamento, no meio das árvores. aquilo me deu a certeza de que aquele cara tinha muito a dizer. e disse. durante o ano letivo todo ele nos ensinou muito, contando histórias de vida que eram ensinamentos de quem tinha certeza que ensinar o bê-a-bá do desenho técnico não ia levar aqueles alunos a lugar nenhum. e eu entendi isso e escutei com atenção cada história que ele contava com o interesse que um neto escuta um avô sábio contando suas histórias. uma boa parte da turma não entendeu assim, e acusava-o de não dar a matéria. eu, um pouco mais velho do que a turma, achava que eles não tinham entendido a proposta do uwe por serem muito novos. não sei se foi por isso. sei que nos dois anos seguintes a situação piorou. e uma das últimas vezes que encontrei o uwe lá pela esdi ele me contou bem triste que os alunos não estavam mais interessados nas suas histórias. não sabem o que perderam. se algum deles tiver uma pontinha de arrependimento, podem ler o que o gabriel escreveu, nos contando com mais detalhes algumas histórias que eu já conhecia, mas que o gabriel teve a oportunidade de presenciar e pode contar com muito mais detalhes. viva o Uwe!

Fazer camisetas, um projeto antigo

21.06.2009

Lancei semana passada uma linha de camisetas (espero que já tenham visto!). A ideia surgiu quando o Jonas (Sá) surgeriu fazermos camisetas para ele, logo depois que fizemos a capa do disco dele ‘Anormal’. Mas eu queria algo mais, não que o Jonas seja menos, mas eu vi ali a possibilidade de fazer duas coisas que estava querendo colocar em prática: fazer camisetas (vontade que tenho há pelo menos 10 anos) e colocar em prática um projeto pessoal. Sair um pouco da demanda do mercado e criar minha própria demanda, meu próprio projeto.

Surgeri também ao Marcelo Frota (Momo) fazermos camisetas baseadas no disco dele. Ele adorou a ideia. E quando estava pra começar a pensar na produção, o Mariano Marovatto surgeriu fazermos camisetas dos Sete Novos também. Perfeito, três artistas, para a marca que pensei, e que era um nome que já estava na minha cabeça a pelo menos quatro anos: Três ao Cubo.

O nome na verdade surgiu quando eu mais dois amigos estávamos estudando a viabilidade de montarmos um escritório juntos, na mesma época da Fazendesign, e o nome que pensamos foi esse: Três ao Cubo. Continuei com o nome na cabeça, até porque meu vício pelo número três só aumentou, e também porque achei irônico ser Três ao Cubo comandado, idealizado e realizado por uma só pessoa. Um plágio na ideia dos Sete Novos, que são na verdade três.

Foram quatro meses desde os desenhos até ter todas as primeiras camisetas produzidas. Muito aprendizado, afinal resolvi me meter sozinho no assunto, claro, com algumas ajudas com as quais eu não teria conseguido: Maria Claudia Moura, minha tia Lenita (Helene Anastassakis) e meu primo Bruno (Anastassakis), que me acompanhou nas idas à estamparia, venda nos shows do Jonas e depois foi o modelo das primeiras fotos.

quem ainda não viu e não vestiu, vale à pena:
www.tresaocubo.com.br

Alexandre Sant’Anna, fotógrafo

11.06.2009

O Alex me procurou através do Mariano (Marovatto), namorado da sua filha Alice (Sant’Anna, poeta).

O trabalho do site dele foi como todo designer sempre sonhou: rápido, certeiro e com um ótimo resultado. De cara nos entendemos do que queríamos: um site limpo, fácil e que valorizasse suas fotografias.

Tudo conspirou a favor, o trabalho do Alex como fotógrafo é muito bom. O cara tinha um material de primeira guardado na gaveta pra ser divulgado para o mundo, e ainda tem mais coisa, que não incluímos no site, pois é tão bom, que ele quer compilar em um livro. É um projeto sobre um resquício de “vida caipira” em Gamarra, em Minas Gerais. São fotos incríveis que mostram esse universo que está ficando cada vez mais distante de nós. Tive a sorte de ser chamado para pensar o projeto gráfico do livro. Uma honra.

Vale a pena dar uma conferida no site do cara.

Trabalho comentado

27.05.2009

João Marcelo Bôscoli elogiou a capa de Buscador, em seu programa Radiola. Valeu Marcelo pelo crédito! Se a capa é boa, o disco é melhor ainda. Veja trecho da entrevista:

Quando fazer um simples trabalho nos dá um grande prazer

21.03.2009

Recebi na quinta-feira a simples e corriqueira tarefa de preparar o e-flyer para o show da Silvia Machete, no qual ela canta músicas do disco ‘Carlos, Erasmo’, um dos melhores – se não o melhor – de um dos meus cantores preferidos – se não o melhor também. Fiquei com vontade de remeter diretamente à capa do disco. No meio do processo me vi de novo pesquisando sobre capas de discos, apesar de já conhecer a capa do disco em questão há um bom tempo. E vi que as horas passaram rapidamente enquanto brincava com aquele simples layout para um e-flyer…

Sobre o design ou Essa é a minha questão

08.03.2009

Menos é mais.

É a máxima propagada pela maioria dos studios mundo afora.

Claro, fora os neo-barrocos e neo-nouveaus.

O uso de poucos elementos resulta em maior arejamento da composição. Até aí tudo bem. Mas esta composição, os elementos, suas proporções, cores e tratamentos só se tornam MAIS se carregarem, em cada entrelinha, cada entreletra, algum conhecimento adiquirido pelo designer. O que torna a recíproca verdadeira.

Mais é menos.

Mais conhecimento gera menor necessidade de uso de elementos supérfluos para que a composição se baste e cumpra sua função.

Em contraposição, boa parte das vezes o design está em função da arte, de conceitos subjetivos, que pedem liberdade de expressão.

Como unir design objetivo à subjetividade da arte?

Piano Solo

05.12.2008

Meu trabalho sempre foi de alguma forma ligado à música. E tenho conseguido cada vez mais que essa ligação se reforce, e ultrapasse o limite da imagem. O Piano Solo – que tem sua terceira, última e mais esperada noite na próxima terça 9 de dezembro, – é um exemplo disso.

Criação do esforço dos parceiros da A Gente se Fala Produções, Piano Solo está no seu segundo ano. A idéia inicial foi trazer de volta aos palcos o recital de piano solo, tão comuns outrora, e esquecidos no tempo. O primeiro ano teve um time de primeira do piano clássico, comandado pela direção artística de Nelson Freire.

Em 2008 o projeto ficou – digamos – mais pop. Não perdeu em qualidade e requinte, só somou. Cesar Camargo Mariano e Marcos Valle já se apresentaram, sempre na Sala Cecilia Meireles, com abertura de jovens pianistas, e na semana que vem será a vez do diretor artístico desse ano: João Donato.

João Donato com seu sorriso despretensioso é a síntese dos últimos cinquenta anos da música brasileira, ele é a própria música brasileira, com todas as suas nuances. Acredito que será um grande show, assim como foi o último, de Marcos Valle, que surpreendeu a todos com um show de piano de alta qualidade e dinâmico.

qualé:
Piano Solo
João Donato
abertura de Vitor Araújo

09 de dezembro, terça
20hs
na Sala Cecilia Meireles
Largo da Lapa, 47

CD Pirata Oficial

15.07.2008

Não é de hoje a questão da pirataria, que aliada à Internet, vem despencando ano após ano a venda de CDs no Brasil e no mundo todo. E desde que esse assunto existe a maior arma dos músicos, e das gravadoras, tem sido a qualidade. É triste ver aquela capa de CD tão bonita, com cores lindas, papel diferenciado, digipack, tudo que tem direito, reproduzido em xerox (quando colorida!) numa embalagem de acrílico (quando não dentro daqueles envelopezinhos muquiranas de guardar CD-R!). Sempre achei que apesar disso tudo os músicos deviam sentir ao menos um pingo de orgulho de ver seus CDs pirateados, é a maior confirmação do sucesso! Mas pros designers não. É a confirmação de que seu trabalho não é necessário ao produto.

Sem falar então na qualidade do som. Não só o MP3, que tem o som comprimido, mas desses piratas também, que podem ter vindo também de cópias em MP3. Li em abril uma matéria na Rolling Stone sobre a qualidade do som hoje em dia, escrita por Robert Levine. Parece que ninguém se importa mais com isso e todos escutam música direto de suas caixinhas no computador. Além de ser MP3 etc…

Semana passada fui a uma dessas megastores comprar um livro (já que CD ninguém compra mais) e enquanto minha mulher folheava livros, eu fiquei vendo em quantas andavam as vendas dos CDs, checando os números de lote (aqueles AA 5000…). Quando cheguei nos mais antigos, aqueles que vendem há anos aos montes nas Lojas Americanas, como Legião Urbana – por exemplo – fiquei assustado. Não com o número de lotes já fabricados (desde que são numerados), mas com a falta de qualidade das capas. Tremendos borrões. Pareciam piratas. Piratas oficiais.

Ou os arquivos digitais desses CDs não existem mais e eles precisaram ser “escaneados” para voltarem a ser fabricados, ou então não refazem as matrizes (fotolito ou qualquer outra coisa) na gráfica há muito tempo. As letras eram nitidamente borradas, sem falar nas cores. Fiquei achando que poderia ser apenas um deles que estivesse assim, mas comecei a avaliar todos os “best-sellers” e todos eles estavam desse jeito.

Outro dia ia adaptar um CD, que outra pessoa fez o projeto gráfico, para ser reeditado na Europa, e acabamos descobrindo que o gênio que fez o projeto não guardou os arquivos originais, apenas os PDFs finais, dificultando a simples tarefa de trocarmos alguns logos e textos de obrigação. Imagina quando não guardam nem os PDFs… como faz? E se verificamos este cuidado com as capas, como podemos garantir que houve algum cuidado com o som?

É muito amor à causa. Comprar CD de qualidade duvidosa só pra certificar que está pagando os direitos ao músico. E quanto estamos pagando à gravadora que não toma o menor cuidado com a qualidade desse produto, parou pra pensar?

Leia a matéria do Robert Levine, na Rolling Stone, que é interessante.

Satisfação garantida do designer

01.07.2008

capa do CD Buscador, do Momo

E o sol nascerá. E o sol nasceu. Marcelo Frota, um dos vocalistas do Fino Coletivo acaba de lançar seu segundo disco. O nome do projeto é Momo, que teve seu primeiro disco “A Estética do Rabisco” lançado em 2006.

Marcelo me procurou em março pra fazer o projeto gráfico desse trabalho. Começamos a trabalhar e nos entendemos rapidamente quanto ao conceito estético do disco. Escolhemos algumas fotos minhas que já havia tirado em situações diversas. Depois ficamos apenas ajustando detalhes.

Recebi o disco esta semana. É difícil um designer ficar totalmente satisfeito com o resultado de um trabalho, seja por auto-crítica, seja pela vontade alheia (clientes, parceiros, patrocinadores…). Dessa vez eu fiquei.

Mas o mais importante é o som. O disco é o sol querendo chegar, a claridade, a bonança, mas ainda na escuridão. É um disco muito delicado, forte e bonito. Capa e músicas vão na mesma direção. É um projeto pra me deixar feliz, e feliz também quem puder escutar.

veja mais sobre este projeto em PORTFOLIO

Sobre capas

20.06.2008

Sou apaixonado por capas de discos. Acho que deixo transparecer isso. Na verdade sou apaixonado por discos, álbuns. Esse objeto que está fadado à morte, agonizante em pleno século XXI. Gosto tanto que tanto faz se é capa de um grande e generoso LP ou uma pequena embalagem de CD.

Tenho vontade de pesquisar sobre o assunto, é na verdade um fascínio, maior que a razão. A razão entende que o LP ou mesmo o CD, e talvez o álbum, tenham dias contados. Mas isso não faz meu fascínio diminuir. Nem a vontade de trabalhar nisso. E talvez a vontade de continuar trabalhando nisso me faça pensar em pesquisar da forma mais ampla possível, todas as formas e formatos gráficos de venda industrial de música já ocorridos, e conseqüentemente, os formatos futuros também. Desde as fitas de rolo, ou antes, até os dias de hoje. Alguns dizem que o caminho natural é a internet, mas eu não acho que seja tão simples assim. E imagino que a idéia do álbum – como uma coleção de músicas feitas e gravadas mais ou menos juntas ou com o mesmo propósito por um artista – seja mais forte do que o formato que lhe cabe.

Em 2005 comecei, de forma discreta, a montar um blog-pesquisa sobre este universo. Mas pela falta de tempo e talvez um pouco de preguiça de escrever, resolvi me ater a colecionar capas e mencionar os capistas autores, o que por si só não é uma tarefa tão fácil. Não queria me restringir apenas ao universo de capas brasileiras, nem ser universal, nem tanto ao céu nem tanto à terra. Resolvi então facilmente este dilema na descrição do blog: “Um blog-catálogo-pesquisa sobre capas de discos. De música carioca, música brasileira e música do mundo. por philippe leon.” Falo a partir do Rio de Janeiro, do Brasil para o mundo. Mas não apenas sobre o Rio e o Brasil, mas também o mundo inserido no universo que compõe a cultura brasileira. Compliquei?

Enfim, este é o Sobrecapa, um blog de trocadilho pobre, porque não falo de sobrecapas (que são mais comuns em livros), mas falo sobre capas.

visitem: http://sobrecapa.blogspot.com/

A melhor foto da última semana

19.06.2008

Em 2001 os Titãs se preparavam pra entrar em estúdio pra gravar o seu 11º disco de estúdio, quando foram pegos de surpresa com a morte de Marcelo Fromer. Quando soube da notícia pelo rádio, eu estava dentro de uma van na Barra da Tijuca. A Zoy estava fazendo o projeto gráfico do disco e eu era o assistente. A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana. O último melhor disco da banda de todas as semanas. De sobra, acabei diagramando o cartaz. Contrariando toda a equipe de marketing da extinta Abril Music, que queria que todos os cartazes e busdoors viessem com a capa do disco grande, sem nenhuma outra imagem, propusemos essa foto, da Dani Dacorso, dos seis de costas.